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Séculos XIX, XX e XXI: o mesmo Estado?

23 de março de 2015

A Constituição Federal de 1988 estabelece um sistema federativo de governo, centralizado no governo federal, que arrecada e redistribui; é, assim, um modelo redistributivo, semelhante ao comunismo, tal como proposto por Marx, em que os princípios fundamentais sobre os quais se baseia a construção do tecido social têm o coletivo, o “bem (interesse) público” e a “justiça social” seus principais eixos principiológicos.

À parte do fato de a espécie humana não admitir um coletivo – coletivo de peixe é cardume, de cão é matilha, mas de ser humano não existe -, e tampouco os conceitos de “social” não terem espelho na realidade biológica da Terra, vemos um sistema político baseado em conceitos com mais de 2000 anos de existência serem utilizados para regular a vida das pessoas em século XXI. Se considerarmos as origens da cristandade, recuaremos a mais 30001 antes do A.D., no Egito.2

A formação do novo cenário de conflito global assemelha-se, em muito, a formação de grupos de base ideológica – fundamentalistas materialistas e místicos-, no século XXI, tal como ocorreu no século XIX, com a gênese das ideologias de base materialista-proletaristas, especialmente a partir de Karl Marx.

Estas ideias iriam eclodir como experiências revolucionárias no século XX, tornando este o século mais sangrento e criativo desde o início da Era Cristã.

Durante o séc XX as ideias que se tornaram experiências revolucionárias se tornaram respostas inadequadas às questões fundamentais que lhes deram origem, falhando em prover as respostas sociais que prometiam.

No fim do séc XX e início do séc XXI um nova ideia se torna presente de forma revolucionária: o islamismo.

Agora não mais com base em necessidades de ordem material, as crenças religiosas assumem papel de destaque político e ideológico, e o Islã assume posição estratégica e de liderança na conquista de novos “Corações e Mentes”, dentre as pessoas que viram falhar as promessas políticas e ideológicas construídas a partir da militância partidária nos dois séculos anteriores.

Com uma nova forma de encarar o futuro, incerto pela própria natureza da vida, na esperança da incerteza se evadir do amanhã, as crenças religiosas refazem as bases das promessas de satisfação das necessidades humanas, penalizando as necessidades materiais e prometendo o que nenhum político poderia: a eternidade com suas próprias virgens, a vida eterna com o novo Senhor.

Com um planeta super-povoado e com uma imensa maioria de seres humanos no outro lado do muro do consumo, os fundamentalistas místicos têm o séc XXI inteirinho para construir o palco da próxima Guerra Santa.

E como a Europa é um Campo de Batalha natural, muito provavelmente, a Guerra Santa terá sua eclosão nos campos europeus.

Embora relatório de demografia da ONU/FAO anuncie que cada mulher deve ter 2,11 filhos para reproduzir a própria cultura, as mulheres ocidentais – incluindo e principalmente as “politicamente corretas” – insistem em não tê-los em nome de uma imagem de realização pessoal no campo profissional, de independência financeira, acadêmica, intelectual.

Enquanto isto, os árabes atingem taxas de natalidade de 16, por exemplo, em Chicago, onde os nativos não passam de 1,6.

O ocidente não atinge a cota de reprodução da própria cultura e entrega, de bandeja, seus países para a invasão árabe ocorrer no séc XXI, a partir de dentro.

A criação do Estado Moderno teve como base ideológica a institucionalização de sociedades com base na influência da Igreja Católica, em ideias políticas Gregas e Romanas, milhares de anos após seu desaparecimento.

O industrialismo mudou a natureza das relações interpessoais nas sociedades mercantilistas, gerando impactos no desenho urbano, na especialização funcional das atividades econômicas, na diversidade destas atividades, flexibilizando a moralidade religiosa e social dos séculos anteriores, trazendo novas ideias a partir de quebras de paradigmas na física, na química, na psicologia, nas artes e no modo como os homens faziam a guerra.

Em toda a extensão das mudanças de comportamento das populações e sua adaptação às novas condições econômicas o conceito e a própria ideia de Estado não sofreu as adaptações a que os cidadãos foram submetidos.

A ideia de Estado já não satisfaz as novas necessidades das populações.

A construção de Estados a partir dos paradigmas quebrados e inadequados à realidade econômica atual já não se insere mais no dia-a-dia das pessoas, que clamam por uma resposta nova à velha questão: como administrar a satisfação das necessidades sociais e quais as novas ferramentas usadas para esta tarefa?

O Estado precisa ter novas bases ideológicas.

Mas o próximo conflito é com velhas crenças.

1Disponível em https://www.youtube.com/watch?v=HzKuT8GpB5M/. Visitado em 23/03/15.

2Disponível em http://olhodehorus-egito.com.br/egito.htm#deuses/. Visitado em 23/03/15.

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